Toda operação de distribuição promete entregar no prazo e completo. Poucas conseguem provar com um número. Saber o que é OTIF — e medi-lo com rigor — é o que separa uma área de logística que reage a reclamações de uma que governa o próprio nível de serviço. Este guia define o indicador, mostra a fórmula com um exemplo ilustrativo, acrescenta a dimensão que a cadeia fria exige e percorre os demais KPIs de entrega que sustentam um serviço previsível.
O que é OTIF
OTIF significa On Time In Full — entrega no prazo e completa. É o indicador que mede a proporção de pedidos que chegaram ao cliente ao mesmo tempo dentro do prazo combinado e com a quantidade e o sortimento corretos. As duas condições precisam ser verdadeiras: um pedido pontual mas incompleto não é OTIF; um pedido completo que atrasou também não é. Basta falhar em uma dimensão para o pedido sair do índice.
O OTIF virou referência porque traduz, em um único número, aquilo que o cliente realmente percebe. Ele não pergunta se o caminhão saiu no horário ou se o estoque estava disponível — pergunta se a promessa foi cumprida na porta do cliente, do jeito que foi combinada. Por isso é o KPI de nível de serviço mais cobrado em contratos de grandes redes varejistas, muitas vezes com multa associada ao não cumprimento.
A fórmula do OTIF, com exemplo
Existem duas formas usuais de calcular o OTIF, e a diferença entre elas importa.
1. Medição combinada por pedido. A mais fiel ao que o cliente sente. Cada pedido é classificado como sucesso só se for, ao mesmo tempo, no prazo e completo:
OTIF = pedidos no prazo e completos ÷ total de pedidos no período
2. Medição multiplicativa. Calcula-se cada componente em separado e multiplicam-se os dois:
OTIF = On Time % × In Full %
Veja um exemplo numérico ilustrativo (valores hipotéticos, apenas para demonstrar a mecânica). Em um período com 1.000 pedidos: 920 chegaram no prazo (On Time = 92%) e 950 chegaram completos (In Full = 95%). Pela fórmula multiplicativa:
| Componente | Cálculo | Resultado |
|---|---|---|
| On Time | 920 ÷ 1.000 | 92% |
| In Full | 950 ÷ 1.000 | 95% |
| OTIF (multiplicativo) | 0,92 × 0,95 | ≈ 87% |
Repare na lição central: o OTIF é sempre menor ou igual a cada componente isolado. É fácil olhar "92% no prazo" e achar que o serviço vai bem; o OTIF revela que, quando se exige prazo e completude juntos, o número real é mais baixo. Por isso ele expõe problemas que os indicadores parciais escondem.
Dois cuidados tornam o número confiável: defina a tolerância (o que conta como "no prazo" — chegada exata, dentro da janela, mais ou menos um dia?) e mantenha o critério estável ao longo do tempo. OTIF medido com régua que muda a cada mês não serve para acompanhar tendência. Para um passo a passo do cálculo, veja como calcular o OTIF na prática.
A terceira dimensão: a temperatura
Para quem distribui laticínios, congelados e refrigerados, o OTIF clássico tem um ponto cego. Um pedido pode chegar pontual e completo e, ainda assim, ser uma falha de serviço — se chegou fora da faixa de temperatura. O iogurte que viajou aquecido, o congelado que descongelou na rota: contabilizá-los como entrega bem-sucedida é mentir para o próprio indicador.
Por isso, em cadeia fria, vale ampliar o conceito para uma terceira dimensão: entrega no prazo, íntegra e na temperatura certa. O pedido só conta como sucesso se as três condições forem satisfeitas. Isso transforma a temperatura de um detalhe operacional em parte do contrato de serviço — e muda a forma de planejar.
A consequência é decisiva: a melhor maneira de proteger essa dimensão não é medir a temperatura depois, com um alerta que dispara quando o estrago já aconteceu. É tratar a temperatura como restrição da otimização, validada antes do solve — garantindo que cada pedido refrigerado vá em um veículo de compartimento compatível e que o sequenciamento reduza o tempo de porta aberta. O guia de cadeia fria na logística refrigerada detalha como isso funciona.
O que é um bom OTIF
A pergunta inevitável — "qual OTIF é bom?" — não tem resposta única, e desconfie de quem cravar um número universal. O patamar saudável depende do setor, da complexidade da malha, do mix de produtos e, principalmente, do critério de tolerância adotado. Um OTIF medido com janela folgada não é comparável a um medido com prazo exato.
Em termos qualitativos, vale guiar-se por princípios em vez de metas mágicas:
- Estabilidade vale tanto quanto altura. Um OTIF alto que oscila bruscamente esconde processos descontrolados; um índice consistente é sinal de operação previsível.
- Operações maduras perseguem patamares altos. Em bens de consumo e varejo de grande porte, o mercado costuma cobrar índices elevados, e contratos podem prever penalidade abaixo de um piso acordado.
- Compare contra você mesmo. O benchmark mais útil é a sua própria série histórica: a tendência mês a mês diz mais do que a média do setor.
- Decomponha a falha. Saber se a perda vem do prazo (On Time) ou da completude (In Full) direciona a ação — são causas-raiz diferentes.
Outros KPIs de entrega
O OTIF é o indicador-síntese, mas governar o nível de serviço exige um painel. Estes KPIs de entrega se complementam e ajudam a explicar por que o OTIF subiu ou caiu:
| KPI | O que mede | Por que importa |
|---|---|---|
| Taxa de sucesso na 1ª tentativa | Pedidos entregues sem precisar de nova visita | Reentrega corrói custo e prazo; é a maior alavanca silenciosa do OTIF |
| Custo por entrega | Custo logístico total ÷ entregas realizadas | Conecta nível de serviço a eficiência; impede "melhorar OTIF a qualquer custo" |
| Aderência ao plano | Quanto a execução seguiu a rota planejada | Desvios entre plano e real explicam atrasos e furos de janela |
| Ocupação de frota | Uso da capacidade (peso, volume, pallets) por veículo | Ocupação baixa encarece; alta demais aperta janelas e arrisca o prazo |
| Lead time de entrega | Tempo do pedido até a entrega ao cliente | Lead time previsível é pré-condição para prometer prazo com segurança |
Nenhum desses números vive isolado. A taxa de sucesso na 1ª tentativa alimenta diretamente o On Time; a aderência ao plano revela se o atraso nasceu no planejamento ou na execução; a ocupação de frota e o custo por entrega garantem que o ganho de serviço não venha às custas da margem. Para um panorama mais amplo, veja o guia de KPIs de logística.
Como roteirização e torre de controle elevam o OTIF
Medir OTIF é diagnóstico; melhorá-lo é projeto. E a maior parte do ganho não está no fim da cadeia — está no plano. Um roteirizador que respeita as restrições reais da operação eleva o OTIF na origem, antes de o caminhão sair:
- Janelas no próprio plano. Quando a otimização sequencia as paradas dentro das janelas de entrega de cada cliente, o On Time deixa de depender de sorte e passa a ser projetado. Furo de janela é uma das maiores causas de queda do OTIF.
- Capacidade multi-restrição respeitada. Peso, volume, pallets e caixas tratados como limites independentes evitam o sobrecarregamento que gera entregas parciais — protegendo o In Full.
- Restrições urbanas e jornada embutidas. Rodízio, VUC e a jornada do motorista entram no plano, evitando atrasos por rotas inviáveis na prática.
- Compatibilidade de temperatura antes do solve. Para cadeia fria, garantir compartimento compatível protege a terceira dimensão sem replanejamento de última hora.
O plano resolve a previsibilidade; a torre de controle resolve o imprevisto. Monitorando a execução em tempo real, ela mostra desvios de janela enquanto ainda há tempo de agir, captura o comprovante de entrega digital com data, hora e ocorrências, e devolve os dados que alimentam o OTIF com precisão. Plano e monitoramento fecham o ciclo: planejar bem para acertar na origem, acompanhar de perto para corrigir antes da falha.
É essa a lógica do Routix: o OTIF não é um relatório que se olha no fim do mês — é a consequência de um plano que já nasce executável. Para entender como a otimização sustenta isso, veja o guia de software de roteirização de entregas.
Perguntas frequentes
O que é OTIF?
OTIF (On Time In Full) é o indicador que mede a proporção de pedidos entregues ao mesmo tempo no prazo combinado e completos, com a quantidade e o sortimento corretos. Um pedido só conta como OTIF se atender às duas condições; falhar em qualquer uma já o exclui do índice.
Como se calcula o OTIF?
Há duas formas. A combinada por pedido: OTIF = pedidos no prazo E completos ÷ total de pedidos. E a multiplicativa: OTIF = On Time % × In Full %. Exemplo ilustrativo: 92% no prazo × 95% completos resultam em cerca de 87% de OTIF — sempre menor ou igual a cada componente isolado.
Qual é um bom OTIF?
Não existe número universal: depende do setor, da malha e do critério de tolerância. Em termos qualitativos, operações maduras de bens de consumo costumam perseguir patamares altos e estáveis, enquanto índices baixos ou muito oscilantes indicam que prazo, completude ou ambos precisam de atenção. O mais importante é medir sempre pelo mesmo critério e acompanhar a tendência.
Qual a diferença entre On Time e In Full?
On Time mede pontualidade: a entrega chegou dentro do prazo ou da janela combinada. In Full mede completude: o pedido chegou com a quantidade e o sortimento corretos, sem faltas nem avarias. O OTIF combina as duas, porque entregar no prazo um pedido incompleto, ou completo fora do prazo, ainda frustra o cliente.
OTIF serve para cadeia fria?
Sim, e idealmente com uma terceira dimensão. Em distribuição refrigerada, vale medir a entrega no prazo, íntegra e na temperatura certa: um pedido que chega pontual e completo mas fora da faixa térmica não deveria contar como sucesso. Tratar temperatura como restrição da rota, e não como alerta posterior, é o que sustenta esse OTIF ampliado.