Saber como calcular OTIF é o primeiro passo para transformar a percepção difusa de "estamos entregando mal" em um número que se acompanha, compara e melhora. O OTIF mede, em uma única métrica, se a entrega chegou no prazo e completa — as duas coisas que o cliente realmente espera. Neste artigo você vê a fórmula, um exemplo numérico ilustrativo passo a passo, os erros mais comuns ao medir e como puxar o indicador para cima.
O que o OTIF mede
OTIF é a sigla de On Time In Full — no prazo e completo. É um indicador de nível de serviço que só dá uma entrega como "boa" quando ela cumpre duas condições ao mesmo tempo: chegou dentro do prazo combinado e levou exatamente o que foi pedido, sem falta nem avaria que inviabilize o recebimento. Se uma das duas falha, a entrega não conta como OTIF — por mais que tenha acertado a outra.
Essa rigidez é proposital. Para o cliente, receber metade do pedido na hora certa é tão frustrante quanto receber tudo com três dias de atraso. O OTIF captura justamente essa experiência combinada, e por isso é um dos principais KPIs de entrega em distribuição.
A fórmula do OTIF
O OTIF é o produto de dois indicadores independentes:
- On Time (OT) = entregas no prazo ÷ entregas totais
- In Full (IF) = entregas completas ÷ entregas totais
E então:
OTIF = On Time × In Full
Como é uma multiplicação de duas frações, o resultado é sempre menor ou igual ao pior dos dois fatores. Um On Time de 95% combinado com um In Full de 90% não dá uma média de 92,5% — dá 0,95 × 0,90 = 85,5%. É comum o gestor superestimar o próprio OTIF justamente por confundir produto com média.
Há uma variação mais exigente, às vezes chamada de OTIFEF, que acrescenta dimensões como documentação correta e ausência de erro. O princípio é o mesmo: cada dimensão é um fator que multiplica, e qualquer falha derruba o conjunto.
Exemplo numérico passo a passo
Os números abaixo são ilustrativos, com rótulos genéricos, só para mostrar a mecânica do cálculo. Suponha um período com 1.000 entregas:
| Etapa | Quantidade | Cálculo | Resultado |
|---|---|---|---|
| Entregas totais | 1.000 | — | base |
| Entregas no prazo | 920 | 920 ÷ 1.000 | OT = 92% |
| Entregas completas | 950 | 950 ÷ 1.000 | IF = 95% |
| OTIF | — | 0,92 × 0,95 | 87,4% |
Repare no detalhe: tanto o On Time quanto o In Full estão acima de 90%, mas o OTIF cai para 87,4%. Se você só olhasse o On Time, acharia que a operação vai bem; o produto revela que cerca de uma em cada oito entregas falhou em pelo menos uma das duas dimensões.
Há ainda uma sutileza importante. O cálculo acima conta prazo e completude de forma independente — mas uma mesma entrega pode falhar nas duas. Se você quiser o OTIF "verdadeiro por pedido", conte quantas entregas foram simultaneamente no prazo e completas e divida pelo total. Esse número costuma ser um pouco menor que o produto OT × IF e é o que mais se aproxima da experiência do cliente.
Erros comuns ao medir
- Não fixar a definição de "no prazo". "No prazo" pode ser a data combinada, a janela de entrega do dia ou uma tolerância de minutos. Trocar o critério a cada medição torna a série incomparável.
- Misturar granularidade pedido e item. OTIF por pedido e OTIF por item medem coisas diferentes. Escolha uma para o indicador oficial e seja consistente.
- Calcular média em vez de produto. O erro mais frequente: somar OT e IF e dividir por dois superestima o resultado.
- Ignorar a recusa do cliente. Uma entrega que chegou no prazo mas foi recusada por avaria não é OTIF. Se ela conta como "no prazo", o número fica inflado.
- Medir sobre o planejado, não o executado. O OTIF tem que sair da execução real — quando o caminhão de fato chegou — e não do horário previsto no papel.
Como melhorar o OTIF
Como o OTIF é um produto, melhorar exige atacar a dimensão mais fraca primeiro. Se o seu gargalo é o On Time, o caminho passa por um plano de rotas que respeite janelas e jornada desde o início — não por cobrar mais velocidade do motorista. Se é o In Full, o foco vai para separação, conferência e compatibilidade de carga.
Boa parte das falhas de prazo nasce ainda no planejamento: rotas longas demais, sequenciamento que ignora janelas, veículos mal alocados. Um roteirizador que trata janelas, capacidade e restrições urbanas como restrições da otimização produz planos que já nascem executáveis — e isso se reflete diretamente no On Time. Para a parte de completude, garantir que cada pedido só seja alocado a um veículo compatível evita recusas no destino.
Acompanhar o indicador separando as duas componentes, sobre dados de execução real, é o que permite agir no lugar certo. Veja o guia de OTIF e KPIs de entrega para o quadro completo, ou conheça os 8 KPIs de logística que acompanham o OTIF no dia a dia.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula do OTIF?
OTIF é o produto de dois indicadores: On Time (entregas no prazo ÷ entregas totais) multiplicado por In Full (entregas completas ÷ entregas totais). Como é uma multiplicação, basta uma das duas dimensões falhar para que a entrega não conte como OTIF.
O que conta como entrega "no prazo" no OTIF?
Depende da definição acordada com o cliente. Pode ser a data combinada, a janela de entrega do dia ou uma tolerância de minutos. O importante é fixar uma única regra e aplicá-la de forma consistente — mudar o critério a cada medição torna o indicador incomparável.
OTIF deve ser medido por pedido ou por item?
As duas granularidades são válidas, mas medem coisas diferentes. Por pedido, um pedido só conta se estiver no prazo e completo. Por item ou linha, mede-se a proporção de itens corretos. O OTIF por pedido costuma ser mais rígido e mais próximo da experiência do cliente.
O que é um bom OTIF?
Não existe número universal: depende do setor, da complexidade da malha e do nível de serviço contratado. Mais importante do que perseguir um número de referência é medir com critério estável e acompanhar a tendência ao longo do tempo, separando as falhas de prazo das de completude.